Para acabar o ano em grande

Como isto de cinemas com filmes decentes escasseiam na minha zona lá tive de me deslocar a Lisboa para uma sessão dupla.

Babel
É o novo filme de Alexandre González Iñárritu e de Guillermo Arriaga, e a última parte da "Trilogia da Morte" que inclui “Amores Perros” e “21 Grams”.
Neste filme as várias linhas narrativas, apesar de ocorrerem em locais geográficos, bastante longínquos entre si, têm como ponto de encontro, o disparo de uma caçadeira. O disparo de uma caçadeira da responsabilidade de dois rapazes, filhos de um pastor marroquino, leva a uma cadeia de eventos que altera por completo a vida de dois turistas norte-americanos de férias em Marrocos e de uma ama mexicana com as duas crianças que tem a seu cargo. Um pouco aparte desta trama, está a estória de uma adolescente japonesa surda-muda, que luta por se integrar na sociedade que a rodeia.

Babel é realmente um filme sobre a comunicação, ou mais precisamente, a falta ou deficiência da mesma. O caso mais óbvio é mesmo o da rapariga japonesa, que além da dificuldade em contactar com pessoas que falam, sentindo-se num mundo àparte, tem problemas familiares complicados, exacerbando a típica falta de adaptação natural da adolescência. Nos outros casos, o problema não é tanto a diferença de línguas. Tanto em Marrocos como no México não há problemas nisso, a deficiência na comunicação existe dentro de cada pessoa, as diferenças culturais e emocionais são verdadeiramente o que falha entre as pessoas.

Apesar de Brad Pitt, Cate Blanchet e Gael Garcia Bernal serem os cabeças de cartaz deste filme, na minha opinião passam um pouco despercebidos relativamente a outros actores menos conhecidos (pelo menos por mim) como Rinko Kikuchi (Chieko) ou Adriana Bazarra (Amelia) - não que estejam mal, antes pelo contrário, mas não sobressaem tanto, digamos...

Só uma nota final, para a excelente banda sonora escrita por Gustavo Santaolalla e para os pequenos, mas brilhantes, momentos de Ryuichi Sakamoto.



The Departed


Este último filme de Martin Scorsese tem andado no “top of the tops” do ano que passou. O argumento de “The Departed” foi baseado num filme feito em Hong Kong: “Mou gaan dou – Infernal Affairs” de 2002, também produzido pela Media Asia Films Ltd.


The Departed leva-nos ao mundo do crime organizado de Boston, liderado por Frank Costello (Jack Nicholson). Numa tentativa de levar a melhor às sucessivas tentativas de acabar com o seu negócio, Costello envia um dos seus rapazes num trabalho sob disfarce na Massachusetts State Police, Colin Sullivan (Matt Damon). Por sua vez, do outro lado da lei convencem um dos seus agentes acabados de sair da academia a reentrar no mundo onde cresceu e trabalhar sob disfarce contra Frank Costello.
Este jogo do gato e do rato é composto por enganos, manipulações, ilusões, que encobrem todas as personagens e as enleiam numa teia complicada de destruir.




O elenco é 5 estrelas e não há nada a apontar, tanto nos principais como nos secundários.Martin Scorsese pouco alterou o argumento do filme original, pouco mais fazendo do que adaptá-la à realidade de Boston e dos seus polícias irlandeses – nada mal, e muito divertido, por sinal -, perdendo um pouco o ambiente mais pesado que Infernal Affairs tem. No entanto acrescentou-lhe aquilo que estava a faltar ao filme original, profundidade nas personagens e nas suas relações.





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Recomendo ambos vivamente. Para mim dois dos melhores filmes do ano, sem a mínima dúvida.

03 janeiro 2007

3 Comments:

taniapato aka loislane said...

ola ola então a menina tem um blog e nem avisa :p
jokas grandes

Sony said...

Olá! Gostei do teu canto, ou melhor do teu Noise and Sound;
Sobre os filmes que comentas, sinceramente, não tenho ido muitas vezes ao cinema, por desleixo... e muito mais.
Vou acrescentar o teu blog nos meus "amigos" assim terei sempre um olhar atento aos filems.
Um beijo.

Pedro Duarte said...

Sobre Babel, um auntêntico murro no estômago cuja dor se distribuiu pelas durante as 2h30 do filme... Mas e esta : quanto a mim o melhor filme de 2006, mesmo perto do ano acabar.

Achei brilhante a abordagem ao uso de drogas por culturas diferentes : a de marrocos (era marrocos, nao era? o local onde há o acidente da bala) com fim terapêutico e no japão como escape à sensação de inexistência pelo grupo de jovens. Em ambos os casos, para alivar dores.

Kate Blanchett brilhou mesmo e Pitt nem por isso - o melhor dele é mesmo é Fight Club.